segunda-feira, 9 de agosto de 2021

Dona Nida e suas historias

 Meus bens vocês já viram que a história de sua familia aqui no sul-sudeste é recente porque meus pais e os pais de sua avó vieram pro Rio de Janeiro há cerca de 50 anos e aqui foi fazendo a vida, mas o tempo maior mesmo está no passado destes homens e destas mulheres. Quem sabe alguem de vocês não se torne historiador ou cineasta e persiga a história dessas duas familias que se encontraram na Baixada Fluminense nos anos 80 e aí vocês hoje estão me lendo. Tomem conta dos seus velhos. São crianças como vocês, o que vocês vão ser quando vocês crescerem....

Outro dia dificil

Oi querides.

Tempo que não falava com vocês. Semana passada Sebastião fez dois anos, e se aproxima o aniversario do Quinzinho. Ontem dia 08.08 de 2021, dona Cremilda, bisavó de vocês por parte de mãe, morreu. Sua bisavó se confunde com a minha história, lembro da primeira vez que fui na casa dela, quando já namorava a vó de vocês. Adorava dona Nida, sua avó é muito parecida com ela. Ela chegou na Baixada trazida por sua trisavó, dona Josefina, vindos todos de Recife. Sim seu sangue por parte minha e de sua avóé mistura de cariris mortos, negros escravizados que chegaram no Brasil. Vai vai vai a história. O pai de dona Nida era militar se não me engano da cavalaria, mas foi criada sem pai. Dona Nida adorava Maicon, porque ele era da marinha, ela teve um amor que era marinheiro. Ela sempre teve um sorriso todo especial pro Maicon. Sempre sorridente contadora de histórias, vou sentir falta de sua bisavó. Mas era enérgica, de posições bem marcadas, pensa na sua vó Iara e vocês vão ver sua bisa Nida. É um dia triste, mais um dia em que vamos enterrar um ser amado. 

terça-feira, 4 de maio de 2021

Dias muito dificeis

Oi crianças,
mes passado estive com todos vocês.
Fui na Juju e dpois de dois anos, revi Bibi, Joaquim e Mariana, e Juju e Maicon. Fique demais feliz viu? Brincamos muito, esta inseguro porque Mariana e Joaquim não me viam há muito tempo. Obrigado crianças. deus sabe como fico cansado, já sou velho. Gabriel e Gustavo estavam bem também. Gugu triste com a separação de seus Carol e Bruno.
Biel, você ainda e muito novinho, nós amamos demais você e quando você falava - cantou a música do mosquito, nós ficamos muito felizes e ouvimos varias vezes sua voz forte. Mas você não me dá a menor bola, seu negocio é Vó Iara e Leozinho, o Tio, como fala o Sebastião.
E Gugu, você que já tem 15 anos, é assim a vida. Seu pai será sempre seu pai. Sua mãe sempre sua mãe, então você tem que ser solícito com os dois, mas tem que apoiar sua mãe, ela é que está com vocês. Você e muito novinho ainda baby e está construindo sua vida. Pode deixar que você terá seu avô, suas duas avós, seus tios e sua madrinha zelando por vocês dois.
Tiao sempre naquela alegria que nos faz a todos felizes. Muia energia, muita inteligência e ele se da bem com o Biel que, por sua vez, compete pela avó e pela mãe.
Revi todos os meus netos. Os nascidos, ainda vem mais por aí. Revi todos os meus filhes. Me conciliei com avó. 
Só não estava la minha mãezinha nem meu papai.
Quando voltei a Manaus, minha companheira mais próxima, Bárbara morreu. A tristeza é muita.

sábado, 2 de maio de 2020

Essa é minha mãe, minha rainha. Ela está segurando você, Sebastião, babando o filho do "Tuim" como papai chamava seu pai Arthur. Não tenho nem palavras para falar da mamãe porque ela está num hospítal muito doentinha e nós estamos sofrendo. Sabe, nós tivemos uma infância pobre. Por isso, a gente só tinha roupa novo no natal. Todo final de ano, mamãe saia com nós prá comprar sapatos numa loja da Praça Tiradentes chamada Sapasso. Prá nós era O acontecimento porque a gente não saía do subúrbio onde morava. Aí esperavamos com ansiedade. Sim, nós éramos 5: eu, Tio Marcelo, Tio Sérgio, Tio Dudu e Tia Naná. aí mamae vestia todo mundo, n´so eramos crianças. Pegava um ônibus em benfica, onde a gente morava. Eu e tio Marcelo eramos os maiores. Entã mamae subia nós noônibus e começava a gritar: "Josinaldo segura Sérgio, Marcelo segura Eduardo, Marcelo senta aqui, prá onde você vai sentar Josinaldo". Isso aos gritos  a gente morria de vergonha. Ai mamãe. Tem um autor Mohamed Choukri, ele é de um pedaço de mundo chamado Argélia, ele tem um livro onde ele diz: "como são lindos o amor e a pobreza". Sim, bebês, faz muitos anos. Mas que saudade. Olha aí a gente chegava no centro do Rio, muita gente muita muita muita. E a gente tinha medo de se perder. Mamão segurava a mão dos pequenos Dudu e Nana e eu e Marcelo ficavamos ali colados na mamãe, a gente não tirava o olho dela, com medo de nos perder. Mamãe parecia maior, ali no meio de muita gente andando com a gente mamãe virava uma giganta, muito muito alta. a gente sabia que ela não ia deixar a gente se perder, ela ia tomar conta da gente. Sabem onde eu tenho aquela mesma sensação de amor e confiança na Mãe? Sabem quando eu rememoro aqueles momentos de crianças indefesas mas confiantes na mãe? Numa festa chamada Círio de Nazaré, na Belém onde nasceu a Bibi. Ali eu vejo uma multidão de muita muita muita gente em volta de uma Mãe só que a mãe de Jesus. E ali a gente se sente criança olhando tempo todo prá Mãe, confiantes de que nada de mal vai nos acontecer. Neste dia que eu escrevo prá vocês, muita gente perdeu a mãe naquela doença que falei prpa vocês aki em Manaus. tem muita gente triste se sentindo indefesa. Mas vocês tem Mãe Carol e Mãe Juju. Quem sabe, Bibi e Mariana, quando vocês lerem isso aqui, já não sejam mães vocês também?
Mas ei que em junho de 2020, mamãe foi pra junto de meu pai e deixou os filhos na maior tristeza

Esses são meus tios, netos de Madrinha Chiquinha e Padrinho aleixo, irmãos de papai Joaquim. Galhos fortes, cheios de filhos e netos também. São Tio Jonas, Tio Joca e Tio Tota. Olhem como saõ bonitos. Os Aleixo são fechados e vaidosos, como papai são abertos e generosos. Homens bons. São galhos dessa grande árvore....

Este da foto ´s o bisavô de vocês, o avô de seus pais e suas mães. Vovô Joaquim era sagitariano, como tal ele era o centro da festa: alegre, solar, bem vestido, vaidoso, apegado à família. Gostav de comer bem, vestir bem. Era implicante, vivia implicando com a vovó Lourdes. Foi peõa de obra, vigia noturno no prédio onde meu padrinho Jonas e minha madrinha Magui moravam. Papai era só generosidade, dava a roupa do corpo prás pessoas que precisavam. se preocupava com todo mundo. Papai foi reservado com os filhos mas se derretia com os netos. Quando Gustavo nascei nossa, ele riu muito de alegria. Quando Juju nasceu papai renasceu naquela criança. Vejam como ele é bem vestido, olha o chapéu dele. Meu papai. Morreu faz anos e até hoje, sozinho converso com ele, e choro de saudade dele. Os índios apurinã falam em troncos e galhos. Os velhos e mortos são o galho forte dum tronco velho. para eles, a família é como uma árvore na floresta: grande, com tronco grosso, com muitos galhos. Desse tronco nascem os galhos e os antigos são galho forte. Eu sou galho mas galho fraco e vocês são os galhinhos dessa grande familia que se uniu a familia de sua avó Iara.

Eu me lembro quando eu tinha uns cinco anos. Não lembro. Nós chegamos da cidade do interior onde moravamos depois de 3 dias de viagem num ônibus chamado Breda. a gente chegou num lugar chamado São Cristóvão, um bairro do Rio de Janeiro onde até hoje tem uma feira lá. A Feira dos Paraíbas, que era como chamavam o povo que vinha do nordeste tentar a vida na cidade do Rio de Janeiro. Lembro que sai correndo atrás dum gato. Fomos morar numa favela chamada Nova Holanda, que existe até hoje, num lugar chamado Maré. Moramos na Rua J numero 49. A cidade onde eu nasci era muito pequena. Rio de Janeiro é uma cidade grande! Uma das lembranças mais velhas da minha vida foi quando, não sei porque, de noite papai, o bisavô de vocês, me levou pra esperar algué com ele numa avenida chamada Avenida Brasil. Tinha um muro na entrada da favela, era de noite e quando a gente saiu detrás do muro foi o maior medo da minha vida. Eu vi uma multidão de luzes, muito barulho, muita gente. Eu nunca tinha visto aquiol. Senti muito medo me encostei no muro chorando e dizia: "painho, o que é isso, o que são essas coisas painho..." Papai morria de rir com aquele riso alto que sinto muita saudade. Pegou na minha mão me puxava e dizia: "Tenha medo não meu filho, é a variante". variante era como, naquele tempo, as pessoas chamavam uma avenida grande e movimentada. Mas eu não sapia encostado no muro. Eu só via aqueles carros todos. Lembro um fusca (um tipo de carro), vindo na minha direção. Eu não sabia o que era aquilo. Mas papai ria e acho que ele me botou no colo pra eu me acalmar. Lembro que eu enterrei a cara no ombro dele. Mais não lembro não. Mamãe sempre foi uma mulher bonita. Mamãe era enégica, manteve a familia unida porque nós moramos num lugar com muitos bandidos e se nao fosse eles dois, o que seria da gente?  Amem muito seu pai e sua mãe, quando voces tiverem minha idade, não percam a oportunidade de cobrir os dois de beijos. mamãe está doente, está no hospital. Mamãe é engraçada, ela fala cada coisa. Eu sou um pouco como a inha m'a A gente vai ficando velho e as lembranças do passado vão voltando, voltando. Vou botar uma foto de papai e mamãe, é que meu computador está uma merda...